“Há muitos casos de concorrência desleal no sector da segurança”

Entrevista - João Gaspar da Silva

Entrevista publicada no Dinheiro Vivo.
Entrevista feita com Hugo Neutel
Fotografia de Diana Quintela

É licenciado em engenharia eletrotécnica pelo Instituto Superior Técnico e tirou, depois, um MBA na norte-americana Kellogg School of Management. A 1 de setembro assumiu a presidência da Prosegur Portugal, a participada portuguesa da multinacional espanhola, líder mundial do sector de segurança privada. Aos 37 anos, João Gaspar da Silva gere o sexto maior empregador nacional, com sete mil trabalhadores.

A cadeira
O entrevistado foi fotografado na cadeira “DAR”, desenhada pelo casal de designers norte-americano Charles & Ray Eames, em 1950. O original foi desenvolvido em colaboração com a Zenith Plastics para o concurso “Low-Cost Furniture Design”, organizado pelo Museu de Arte Moderna de Nova York e foi a primeira cadeira de plástico fabricada industrialmente. A sua versão atual de polipropileno oferece uma maior comodidade.
PVP: 452,64 euros, n’ A Linha da Vizinha

Um das consequências da crise tem sido o aumento da insegurança. Como presidente da empresa líder do negócio da segurança privada está numa posição privilegiada para falar sobre o tema. Portugal está, de facto, menos seguro?
A resposta é não. É verdade que existe muito essa perceção, mas, se olharmos para a série histórica da evolução dos principais índices de criminalidade, a verdade é que Portugal continua a ser, no contexto do mundo e da própria Europa, um país bastante seguro. Há um acréscimo pontual dos índices de criminalidade associados a alguns furtos, mas, quando olhamos para uma série histórica de 10 anos e vemos os dados de 2009 até agora, não se verifica uma alteração significativa.

Sentiu uma maior procura por produtos e serviços de segurança privada?
Não senti uma alteração face às tendências históricas e que confirmam Portugal como um país seguro no contexto da Europa. Em alguns indicadores já havia um tendência de subida, antes de 2008, antes da entrada oficial no período de crise, e essa tendência mantém-se agora. Por exemplo, os furtos a residências têm vindo a aumentar, é o que mostra o relatório anual de segurança interna, com dados disponíveis até 2012.

Mais procura por segurança?
No caso do mercado residencial, sim. Esse é um dos segmentos de mercado que continua a crescer. No passado, ter um alarme em casa era um luxo e, neste momento, existe uma penetração maior desse tipo de serviço no mercado português. Mas há ainda espaço para crescer, porque Portugal continua a ter níveis de penetração desse tipo de produtos relativamente baixos no contexto da Europa.

Isso devido a uma perceção de mais insegurança por parte das pessoas?
Isso nota-se quando falamos com as pessoas e no tratamento que é dado às notícias na imprensa. Mas a verdade é que, quando pomos em perspetiva a evolução dos índices de criminalidade, esquecendo aumentos pontuais num índice ou noutro, que também ocorreram no passado, não se pode dizer que a criminalidade aumentou.

A que ritmo é que tem crescido, nestes últimos anos de crise, a procura de alarmes e de sistemas de segurança por parte dos particulares?
As estimativas que temos apontam para um crescimento anual na ordem dos 5% a 10%.

E nas empresas?
Nas empresas, a realidade é diferente e aí, claramente, sentiu-se mais o peso da crise. A Prosegur, mesmo tendo um portfólio mais abrangente de serviços – vigilância, transporte de valores e tecnologia de segurança -, sentiu a crise de forma clara nas várias atividades. A tecnologia de segurança, que depende muito de novos investimentos, do crescimento das redes de retalho, de novos entrepostos logísticos, foi a primeira área a sentir, logo em 2009, o resultado da quebra do investimento público e privado.

Mas o negócio da Prosegur aumentou ou não?
Na área dos alarmes residenciais, claramente sim. No sector empresarial, houve uma contração da procura e do mercado.

Em agosto de 2012, o diretor de recursos humanos da Prosegur, José Lourenço, dizia que a empresa estava no auge do seu crescimento, com uma média de 700 recrutamentos/ano. Mas, em dezembro último, a Prosegur anunciou um despedimento coletivo de até 140 pessoas, sobretudo a Norte, e, em meados do ano, já tinha despedido outros 60 trabalhadores. O que é que mudou num ano e meio? Continue reading ““Há muitos casos de concorrência desleal no sector da segurança””