Icel. Há 70 anos rainha no mundo das facas

Fábrica ICEL

Fotografia de Jorge Amaral/Global Imagens
Texto publicado no Dinheiro Vivo

Facas e cutelos de cima a baixo, por todo o lado, lâminas incrivelmente cortantes – garante quem as faz -, mas a certeza de que nunca, em 70 anos de história, se registou qualquer incidente. Assim, tudo pronto na terra das facas – Benedita, concelho de Alcobaça – para a entrevista a Nuno Radamanto, o novo presidente da Icel – Indústria de Cutelarias da Estremadura. Continue reading “Icel. Há 70 anos rainha no mundo das facas”

Eu comi chicharada e gostei

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Serpão, açaflor, feijoca, chícharo, lódão, erva do calhau ou ossama. Sabe o que são? Produtos alimentares de origem vegetal, sabores, cheiros e texturas esquecidos, que a nova marca Otoctone redescobriu e quer trazer de volta para a mesa dos portugueses.

A Otoctone, fundada pelo gestor Álvaro Dias, “pretende dar a conhecer experiências gastronómicas que caíram no esquecimento. Identifica produtos que vêm de zonas como os Açores, Beira Alta ou Alentejo.

A ideia deste professor de marketing é ir às raízes gastronómicas de cada região, em Portugal e no estrangeiro, e valorizar os produtos autóctones, colocando-os ao dispor de todos que os queiram consumir.

Os chícharos, por exemplo, são uma leguminosa típica da serra de Sicó. Hoje, o seu consumo é muito reduzido, mas, no passado, foi muito importante na dieta alimentar, já que o seu cultivo é pouco exigente em água. [Eu provei e posso garantir que é muito saboroso]. Uma embalagem de 200 gramas custa seis euros. Aqui, pode encontrar uma receita de chicharada.

Numa primeira fase, o portefólio é exclusivamente de produtos portugueses, mas a ideia é completar a oferta com mais produtos de origem africana e brasileira. A Otoctone já prevê a abertura de uma filial no Brasil para facilitar a entrada dos produtos neste mercado.

Os produtos da Otoctone estão à venda em embalagens que variam entre os seis e os 200 gramas e podem ser encontrados em distribuidores selecionados, ou então também podem ser comprados através da loja online da marca.

Estrelas

Depois da ter entrevistado o Miguel Laffan (a entrevista pode ser lida aqui) e de ter experimentado vários dos seus pratos no L’And, a verdade é que sinto que o conheço bem, como se não tivesse passado com ele apenas uma hora. Isso acontece-me com alguns dos meus entrevistados. Como se a Sopa de Peixe da Costa Vicentina, Lagostim Assado e Croquete Cremoso de Ostra, o Salmonete de Setúbal na Salamandra com Açorda de Caldeirada, Lulas Salteadas e Salada Crocante e o Tiramisú de Pistacho com Chocolate Branco e Cerejas Confitadas, Gelado de Café e Crocante de Chocolate Tainori me tivessem contado mais.

Miguel Laffan e Joachim Koerper, o chef do Eleven, decidiram festejar as estrelas Michelin conquistadas no guia 2014 (Miguel conquistou a sua primeira estrela, uma estreia para o Alentejo, e Joachim recuperou a sua estrela para o Eleven).

Assim, Laffan, do L’And, vai apresentar, já amanhã, as suas especialidades no Eleven, em Lisboa, e no próximo dia 22 será a vez de Joachim ser recebido na cozinha do restaurante do resort de luxo L’And Vineyards, localizado em Montemor-o-Novo. A visita ao L’And de Laffan merece bem a pena, tanto mais que o restaurante fica no L’And Vineyards, nada mais nada menos que um dos sítios mais lindos para passar o fim de semana.

Esta é a carta para amanhã. Ainda não será desta que vou provar o resultado da luta de Laffan com a sapateira, mas não perdi a esperança 😉

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Inesperado

Tentámos chegar a algum lado a caminho de casa, mas era mentira. O trânsito não se mexia para lado nenhum. Antecipámos pelo menos uma horita para fazer o que normalmente demora 15 minutos. Bem o pensámos, melhor o fizemos. Voltámos a enfiar o carro no parque e fomos ao Sushi Café. Soube-nos pela vida. Primeiro, um gin e depois o meu temaki preferido, de salmão com crocante de batata doce. Tivemos ainda direito a uma especialidade, que só hoje ia ser posta na ementa, e que consistia nuns camarões em cama de batata doce com leite de côco. Privilégios de quem é amigo do chef 😛

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Chef Luís Baena: Chauvinismo português no bairro de Julia Roberts

Luís Baena

Fotografia de Diana Quintela

Londres já não é, como há 20 ou 30 anos, a pior cidade do mundo para jantar, é até um dos sítios mais vibrantes, gastronomicamente falando, para abrir um restaurante, garante Luís Baena. Prestes a mudar-se para o bairro de Julia Roberts e Hugh Grant, Notting Hill – melhor dizendo, para o 92 da Kensington Park Road -, o chef português abre ao público, na primeira semana de julho, o seu novo restaurante, o Notting Hill Kitchen. O dia certo será decidido este fim de semana no Mónaco, onde ainda terá tempo para descansar uns dias.

“O conceito é o chauvinismo português”, responde, que é como quem diz, o peixe do Atlântico, o porco alentejano, o azeite de Trás-os-Montes, o arroz carolino das Lezírias, o queijo de São Jorge, a manteiga de ovelha de Azeitão, o leitão ou as conservas portuguesas. Mostrar a excelência dos produtos nacionais aos ingleses, a começar por media e bloggers, entre os quais estará, por exemplo, Tom Parker Bowles, o único filho de Camilla e enteado de Charles, Príncipe de Gales, o herdeiro do trono britânico.

Entrando no edifício eduardiano e antes de passar a uma das três salas de jantar, fique pelo bar para beber um copo de vinho e petiscar. E aproveitemos para falar de números. O investimento no restaurante decorado em tons de verde-azeitona e com capacidade para 110 pessoas é de cerca de 1,5 milhões de euros. “São investidores que acompanham o meu trabalho há sete anos, mais um grupo de investidores locais e eu, que tenho aproximadamente 20%. Dar a cara, sou eu que tenho que dar”, explica Luís Baena, em entrevista ao Dinheiro Vivo nos jardins de Montes Claros, em Monsanto, um espaço concessionado à Câmara Municipal de Lisboa por 25 anos e um projeto que envolve alguns investidores de Londres, para já vocacionado apenas para o catering, realização de eventos e festas de particulares e empresas.

De volta a Notting Hill, o orçamento para o primeiro ano de atividade é de um volume de negócios de aproximadamente três milhões de euros. “Ao atingirmos esse objetivo estamos no caminho certo para, ao fim de dois anos, conseguirmos abrir o segundo restaurante”, adianta Luís Baena. E onde? “Gostava muito que fosse em Mayfair. O Mayfair Kitchen. Mas também não me choca partir para uma geografia diferente e sair de Londres.” Nova Iorque, São Paulo, Rio de Janeiro ou Tóquio são apenas algumas das cidades de eleição do chef português que só não é capaz de comer dois alimentos: leite e toranja.

Os preços do jantar no Notting Hill Kitchen vão rondar 28 a 35 libras por pessoa, sem vinho (33 a 41 euros). “Não vou estar a fazer uma cozinha para as estrelas Michelin, mas a trabalhar para mostrar o produto. Daí os preços acessíveis. Uma cozinha Michelin exigiria algumas concessões, seria uma abordagem diferente, mas também não é preciso ter estrelas Michelin para se saber trabalhar e as coisas não são comparáveis. É tão subjetivo como comparar o verde com o cor de laranja”, explica Luís Baena.

Já à mesa, numa das salas de pé direito alto decoradas por Sandra Tarruella – a espanhola que também decorou o melhor do mundo, o El Celler de Can Roca, em Girona -, conte com iluminação dramática, mobiliário de nogueira, mesa sem toalhas, o Tea with Alice da Vista Alegre e uma carta com nomes em português e descrição em inglês. “Tudo muito à volta do imaginário português.” Pastéis de bacalhau e de massa tenra, cabeça de xara, bacalhau dourado, espargos bravos com ovos mexidos, ovos mexidos com farinheira, empadinhas de leitão, dip de feijão frade, arroz de pato, leitão, peixe – muito peixe -, pastel de nata, tábua de queijos só com queijos nacionais. E depois, “porque a marca Portugal não vende”, presunto Joselito, muito vinho borgonha e bordéus e a palavra tapas em todo o lado, seguida de petiscos, assim: tapas/petiscos, para que ninguém saia a perder. “Vamos vender a marca Portugal, mas colados a Espanha em algumas coisas. Eu tenho 25% de sangue espanhol porque a minha avó paterna é espanhola – ninguém é perfeito”, brinca.

Quanto ao vinho, a ideia é levar algum português, mas o mercado britânico é muito conservador: “Neste momento, já temos 24 mil garrafas de borgonhas e bordéus em marcas de qualidade e preços altos”, diz Luís Baena. Nos nacionais, a aposta vai para os generosos, como o Madeira, o Porto, o Moscatel de Setúbal e a Aguardente da Lourinhã.

Luís Baena trabalha com um distribuidor local, mas também tem os seus fornecedores em Portugal, que lhe fazem chegar as coisas em Londres. “Estamos a ver se conseguimos arranjar um agente único para nos levar tudo ao mesmo tempo, exceto o peixe, que nos chegará diariamente, ou de dois em dois dias, consoante o movimento”, adianta. No caso do peixe, trabalha com a Nutrifresco e com a Setemares. Terá ainda Água das pedras, azeite Angélica do Alentejo e vinagre Moura Alves.

Na cozinha, Luís Baena contará ainda com Henrique Mouro, chef do restaurante Assinatura, que aceitou o convite para ser o seu head chef no Notting Hill Kitchen. “Terei mais quatro portugueses na cozinha e, para já, aceitei cinco estagiários portugueses, mais um holandês e um inglês. Mas a língua oficial na cozinha será o inglês, para não haver mal estar”, adianta Luís Baena. Entre cozinha, sala e pessoal administrativo, são mais de 20 trabalhadores que acompanharão Luís Baena até ao romântico bairro londrino de Notting Hill.

Sábado com o chef

Quando dei por mim já estava na cozinha de um chef, que preparava para nós creme de cenoura e alho francês, risotto de cogumelos e pão de ló.
Eu fui só fotografar (tentar…) a nova parceria entre Dias de uma Princesa e The Portuguese Foodie, mas também provei e posso confirmar que estava tudo uma delícia. Já para não falar que o Miguel é mesmo muito querido, diz que vai cozinhar para nós muuuitas mais vezes.
Antes de invadirmos a casa do chef, fomos ao mercado de Benfica, que desconhecia e adorei -, para a semana estou lá caída.
Aprendi algumas coisas, a receita do pão de ló (fácil, fácil!), como fazer um risotto e, maravilha das maravilhas, percebi que, afinal, não tenho que descascar as cenouras para a sopa, vai com casca e tudo, que fica saboroso na mesma!

Seguem algumas fotos de um sábado muito bom ❤

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Catarina e Miguel prontos a entrar em ação. Depois podem ver tudo no blog da Princesa.

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O mercado de Benfica é mesmo muito bom (desta vez, comprei só morangos e abóbora)

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O pão de ló, afinal, é mesmo muito simples. Ovos, açucar e farinha e mais nada!

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E afinal fazer risotto é mesmo com arroz carolino.